Porto Alegre, Brasil

Homens também sentem: por que falar sobre saúde mental masculina é importante

Por muito tempo, saúde mental foi um assunto tabu entre os homens. Em rodas de conversa, temas como futebol, política e finanças sempre pareceram mais “seguros” do que abrir espaço para falar sobre sentimentos, ansiedade ou tristeza. No entanto, essa realidade vem mudando e cada vez mais os homens estão buscando cuidado com a sua saúde mental.

Há uma crescente conscientização sobre a importância do bem-estar emocional e isso também está atingindo o público masculino. Campanhas públicas, movimentos nas redes sociais e profissionais de saúde têm contribuído para reduzir o estigma e incentivar os homens a buscarem ajuda.

Mudando paradigmas e percebendo que a saúde mental importa

Durante anos, foi ensinado aos meninos que “homem de verdade não chora”, que demonstrar fragilidade é sinal de fraqueza. Essa ideia ainda reverbera na vida adulta, fazendo com que muitos resistam em procurar ajuda psicológica até que o sofrimento se torne insuportável e essa seja vista como a única saída possível.

Muitas vezes, esse sofrimento se manifesta com o uso de álcool ou outras substâncias que servem como uma forma de atenuar a for sentida ou esconder sentimentos.

Ao contrário das mulheres, que geralmente recorrem à psicoterapia e aos medicamentos de forma mais precoce e preventiva, os homens costumam adotar um comportamento mais evasivo em relação aos próprios sentimentos.

Os números preocupam

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o suicídio é quase quatro vezes mais frequente entre homens: são 9,9 mortes por 100 mil habitantes, contra 2,6 entre as mulheres. A faixa etária mais afetada? Jovens entre 15 e 29 anos.

Nesses casos, o abuso do álcool também aparece como um fator agravante com a saúde mental deteriorada, pois diminui a censura e pode ser o “empurrão final” em um momento crítico.

A boa notícia: a mudança já começou

Apesar dos desafios, há sinais de progresso nesse cenário. A saúde mental masculina tem, aos poucos, conquistado espaço na mídia, nas redes sociais e nas rodas de conversa, saindo da invisibilidade e ganhando o destaque necessário.

Essa transformação é resultado de um movimento coletivo de conscientização: homens estão começando a compreender que procurar ajuda não é sinal de fraqueza, mas sim um ato de coragem. A redução do estigma em torno da saúde emocional tem permitido que muitos se sintam mais à vontade para buscar apoio psicológico antes que o sofrimento se torne insuportável. Ainda há resistência, é verdade, mas os sinais de mudança são promissores.

A desconstrução de estereótipos tradicionais de masculinidade também tem um papel fundamental nesse processo. Modelos que valorizavam o silêncio, a dureza e a autossuficiência estão sendo questionados e substituídos por formas de ser homem mais autênticas, humanas e abertas à vulnerabilidade. Falar sobre sentimentos e admitir dificuldades passou a ser visto como parte de uma masculinidade mais saudável e realista.

Outro fator positivo é o acesso ampliado a recursos. Hoje, existem mais profissionais qualificados, grupos de apoio, iniciativas públicas e até plataformas online que oferecem psicoterapia acessível. Isso tem facilitado a entrada de muitos homens no cuidado emocional, superando barreiras como tempo, custo ou vergonha.

A valorização do autocuidado também ganha espaço nas discussões sobre saúde mental masculina. Atitudes como praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada, dormir bem, fazer pausas ao longo do dia e aprender a lidar com o estresse têm sido cada vez mais associadas ao bem-estar emocional dos homens.

É preciso continuar fortalecendo essa mudança cultural, ampliando o diálogo e oferecendo suporte real. Afinal, cuidar da saúde mental é um ato de amor-próprio e responsabilidade e todos têm o direito de viver com mais equilíbrio, presença e saúde emocional.

Saúde mental para todos e todas: precisamos falar sobre isso 

Falar de saúde mental exige empatia, escuta ativa e espaços seguros. É preciso naturalizar o cuidado emocional, assim como se fala de cuidar do corpo. Promover conversas abertas, desde a infância, sobre sentimentos, autoconhecimento e pedir ajuda pode salvar vidas.

É importante deixar claro para todos e todas que está tudo bem sentir. Está tudo bem pedir ajuda. Está tudo bem se cuidar.

Cuidar da mente é cuidar da vida. Procure ajuda e saiba que a sua saúde mental importa. 

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