Você já se sentiu sozinho(a) depois de passar horas nas redes sociais? Essa sensação não é rara e não é só sua.
Apesar de parecerem um espaço de conexão e distração, as redes sociais têm sido associadas, cada vez mais, ao aumento da solidão, à exaustão mental e até a sintomas de ansiedade e depressão. Um estudo da Baylor University, no Texas (EUA) que acompanhou usuários durante nove anos, trouxe informações de que tanto o uso passivo (rolar o feed sem interagir) quanto o ativo (com curtidas e comentários) ampliam o sentimento de solidão.
Hiperestímulo e o chamado “cérebro cansado”
O bombardeio constante de vídeos, imagens e notificações ativa um sistema de recompensa cerebral baseado em dopamina, que é o mesmo neurotransmissor associado a vícios. Isso mantém o cérebro preso ao ciclo de rolagem infinita e, ao mesmo tempo, vai tornando o mundo real menos interessante.
Em 2024, o termo “brain rot” (“cérebro podre”) foi eleito a expressão do ano pelo Dicionário de Oxford. O motivo? O esgotamento mental causado pelo consumo excessivo de conteúdos nas redes sociais. Esse “vício” no digital está associado, também, ao trabalho, causando preocupação nas empresas.
Os hábitos cada vez mais digitais na vida pessoal podem impactar a disposição para o trabalho e os resultados corporativos. Cansaço, apatia, dificuldade de foco e uma sensação constante de estagnação. Esses são alguns dos efeitos colaterais do consumo excessivo de conteúdos rápidos, superficiais e repetitivos que dominam nosso dia a dia.
Conexões digitais x vínculos reais
Se nas redes, a gente compartilha o que quer, do jeito que quer, na vida real as conexões reais impactam positivamente a saúde mental.
No digital criamos versões de nós mesmos usando filtros, não só nas fotos, mas também nas emoções. Isso pode fazer com que os relacionamentos digitais pareçam mais “seguros”, porém também mais superficiais, fragilizando a construção de vínculos verdadeiros.
O problema não está apenas nas redes, mas no quanto e como as usamos. A presença constante no virtual pode estar ocupando o espaço da presença real.
Mas como mudar essa realidade? Selecionamos 5 passos para se reconectar com o verdadeiro:
Autorregule o uso: defina horários ou use apps que limitem o tempo online.
Faça um detox digital: experimente períodos off para entender o impacto das redes na sua rotina.
Reveja seus conteúdos: siga perfis que agreguem valor, e não apenas estimulem comparações.
Explore hobbies reais: leitura, arte, caminhadas, jardinagem… o que te conecta com o presente.
Valorize encontros presenciais: nada substitui um abraço, uma conversa olho no olho, um riso compartilhado sem emojis.
Vale lembrar: A psicoterapia é um espaço seguro para entender o que te prende ao mundo virtual, fortalecer sua autoestima e resgatar o prazer de estar consigo e com os outros – na vida real.
Sentir-se só é humano. Mas viver em solidão constante não precisa ser o seu destino. Se você percebe que o uso das redes está ocupando demais o seu tempo, afetando sua autoestima ou seus relacionamentos, a terapia pode ser um caminho para refletir sobre isso e (re)construir conexões mais saudáveis, com os outros e com você mesma.
Cuide de você, no mundo real e de verdade. Você merece.
