Estima-se que de 2% a 6% da população mundial tenha transtorno de personalidade borderline. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) estima que aproximadamente 20% dos pacientes em ambulatórios de psiquiatria têm o transtorno e que a taxa de suicídio dessa população pode chegar a 10%.
Quando falamos sobre relacionamentos tóxicos, é comum que o termo “Borderline” apareça em meio às discussões. Muitas pessoas associam os comportamentos disfuncionais desse tipo de relacionamento às características do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). Mas afinal, ter traços de Borderline significa ser tóxico?
Relacionamentos com pessoas que sofrem do transtorno apresentam desafios emocionais, mas é importante saber diferenciar o TPB dos padrões de abuso emocional mais comuns em relações com pessoas narcisistas.
Relacionamento Tóxico e Borderline: como podem se relacionar?
É verdade que tanto os relacionamentos tóxicos quanto os relacionamentos com pessoas com TPB podem apresentar comportamentos como:
- Ciúmes excessivos
- Cobranças intensas
- Críticas constantes
- Explosões emocionais
- Comportamentos que podem parecer manipuladores
A pessoa com Borderline não busca o controle absoluto, mas sim quer evitar o abandono. Suas reações surgem de um medo intenso e real de perder quem ama. Quem tem TPB pode criticar seu parceiro ou parceira por desespero, como uma tentativa de se sentir amado, visto e acolhido.
O afastamento muitas vezes é uma defesa, uma forma de se proteger de uma dor que parece insuportável.
As atitudes da pessoa com borderline estão ligadas à incapacidade de regular emoções intensas e é frequentemente seguidas por culpa, arrependimento e sofrimento.
Quando o Borderline se torna abusivo?
É importante entender que nem toda pessoa com TPB é abusiva. Mas, em alguns casos, a dificuldade de lidar com sentimentos extremos pode gerar comportamentos que podem ser tóxicos e prejudicar o parceiro.
O problema surge quando esses comportamentos se tornam constantes e começam a minar a autoestima, o bem-estar e a saúde mental do outro.
O ciclo do borderline nos relacionamentos é marcado por uma montanha-russa emocional que se repete diversas vezes.
O problema é que, sem tratamento adequado, esse ciclo tende a se repetir continuamente, mantendo ambos os parceiros presos em uma dinâmica de sofrimento e instabilidade.
A pessoa que com Borderline sofre com o que faz. Eles percebem que suas atitudes não estão alinhadas com o que desejam ser e se sentem mal por isso.
E como lidar com relacionamentos com pessoas Borderline?
- Estabeleça limites claros: Diga o que você aceita e o que não aceita.
- Cuide da sua saúde mental: Seu bem-estar também importa.
- Não entre no jogo da culpa: Quando perceber acusações que não fazem sentido, respire, se afaste emocionalmente e retome a conversa quando ambos estiverem calmos.
- Estimule a busca por terapia: O TPB tem tratamento e a psicoterapia é fundamental para que a pessoa aprenda a regular suas emoções e construir relações mais saudáveis.
- Reflita sobre seus próprios limites: Até que ponto você está disposto a seguir nesse relacionamento? E até que ponto isso está te ferindo?
O Transtorno Borderline é desafiador, tanto para quem vive com ele quanto para quem convive. Com acompanhamento psicológico, é possível desenvolver recursos emocionais, fortalecer a autoestima e construir relações mais estáveis e saudáveis.
Se você vive esse desafio, saiba que a terapia pode ser um espaço de acolhimento, compreensão e transformação.
